terça-feira, 12 de abril de 2022

ALVORADA

         

 

Você que aí escuta do ébrio o discurso;

Que em plena agitação da cidade

Mansamente segue o seu curso;

 

Os poetas, os desavisados

Se atraem pelo charme do seu curvilíneo andar.

Atento ouvinte, cuidado com a artimanha

Dessa miscelânea de mistério e sedução.

 

Um uivo ecoa, um pensamento fervilha;

Casais se recolhem exaustos

Após uma noite de amor.

 

E você vem;

Trazendo consigo os primeiros raios de sol,

Como quem nos oferece uma dose de licor;

Assistindo o agonizar de uma última nota

De uma recém-extinta serenata.

Não é do horizonte os teus olhos o temor,

Sim na plenitude da tela

O tingir em cores de mais um dia

 

Sim, você está exatamente em toda parte;

No Silêncio da erma esquina

E há quem goste da sua companhia no exercício da arte.

 

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