quinta-feira, 25 de julho de 2024

Para onde vão as palavras depois de paridas

Para onde vão as palavras depois de paridas

 

 

Para onde elas vão?

Não sei exatamente;

Vão por ruas e avenidas.

 

Dando vóz a uma emoção;

Ah, essas danadas!

Vão por aí, pelos ares

Sem rumo na estrada.

 

vão virar sussurro em prece

Ou ficar alguns minutinhos quietas só espiando

O elevar da mente e espírito

Ao Pai, nosso criador.

 

Por onde e exatamente o que hão de fazer;

estimado leitor, não sei.

Mais de uma coisa tenho certeza.

Foram paridas da mente e alma de um poeta.

 

 

David Cassiano Ramos

              

terça-feira, 21 de novembro de 2023

ESCUTA-ME

 

Falo com todos

E a todo tempo.

Pena que apenas poucos me ouvem de fato;

Pensam que quando algo não sai conforme o agrado,

Que trata-se de uma punição.

 

Amado! A única distância que há entre nós,

Foi você mesmo quem colocou.

Somos tudo uma coisa só.

 

Tudo o que contigo ocorre;

É porque deixaste ocorrer.

Não tema, nem ao menos o morrer.

 

Você quer ao seu tempo

Para tudo a resposta

Vive dizendo que está largado ao abandono.

Acompanho estritamente tudo, do despertar ao sono;

Grave em ti, não se faz só o que se gosta.

 

 

 

David Cassiano Ramos

Recebido na madrugada de

20 de novembro de 2023

      

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

VESTIDA DE PRATA

 

Que bom que vieste minha criança amada,

Chegaste sem temor até aqui

Porém não terminou ainda a sua jornada.

 

Muitos ainda não me entendem;

Pintam-me amedrontadora e fria.

Mas isso não é verdade, não sou assim;

Sou apenas uma etérea passagem;

Sou a vida além da vida, que a existência terrena alivia.

 

Não sou ossuda caveira;

Nem mesmo uso a ceifa e aterrorizo.

Sou o transitório estágio

E não a lápide, o epitáfio e o piso.

 

Somente o desprendimento da matéria;

Ato onde o prateado cordão se rompe.

Perdão se é nesse instante que o pranto rola.

Porém meu amigo, não se apegue;

Um dia virás a mim também

Até chegar o reencontro com seu saudoso ente;

Aproveite, toque a bola.

 

                  

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

PÁSSAROS DE ASSIS

Bem te vi, beija-flor;

Voando por aí

Beijando alguma flor.

 

Andorinhas andaram espalhando

O que a Juriti jurou não contar;

Que o sabiá soube enfim.

 

Que um tagarela papagaio

Eloquente conta

que o canário além do escopo

De em semente fecundar o fértil veio;

 

Foi à casa número dezoito

Soprar ideias ao ouvido

Do bruxo do Cosme velho.

 

E asseguro-te desocupado leitor;

Que deitou os olhos nestas linhas

Com apreço maior;

Ou ainda quem deu uma breve passada

E ainda assim não entendeu nada.

 

Que há mais mistérios no universo

Entre um bater de asas

E um velho par de botas

Do que possa imaginar nossa vã filosofia.

 

Pois o mundo, segundo um canário

Nada mais é que um espaço infinito e azul

Com um sol por cima.

 

Finjo que sou poeta

David Cassiano Ramos             

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Lá vem o sol;


Abra a janela;

Lá vem o sol, veja só que manhã tão bela.

Um carinho cálido nos faz o astro rei;

Revitalizando cada fibra de nossa alma;

Lá vem o sol, lá vem eu sei.


Acordando a flora e a fauna.

Enchendo-nos de nova energia,

Mostrando que a diante há um intrépido desafio;

Por isso caro irmão, vá, adiante-se


Lá vem o sol, lá vem eu sei;

Brindando-nos com o nascer de mais um proveitoso e sinfônico dia.

Sim, é o astro rei, afugentando da garganta o amargo gosto;

Olhe como é lindo o espalhar de seus raios;

Não se espante, apenas feche os olhos e deixe-o acariciar seu rosto.



Obs: dedicado ao meu grande amigo Caio Munis, caricaricaturista, dublador e amante da arte



             

quinta-feira, 19 de maio de 2022

SONHO DE ÍCARO

    



Esse sempre foi o meu sonho e minha fuga,

Eu menino olhava o céu calado;

Um dia subi feito um balão de desejo  e alegria inflado,

E toquei de leve a sua face.


Cheguei tão alto com minha asa morena,

Ouvindo um rock do bom.

O vento deu-me um beijo doce e avisou:

- Cuidado garoto, cuidado com esse voo.

Mas eu impetuoso não o escutei

E provei o licor amargo que estava oculto no bom bom.


E aí então meu amigo o corpo jaze no chão

Pois o espírito, esse, ouvinte atento;

Vive no sopro do ar

Num eterno e suave contento.



David Cassiano Ramos

domingo, 23 de fevereiro de 2014

                 

terça-feira, 10 de maio de 2022

TUDO QUE HÁ

Olhar no horizonte;

Alegria contida no que há por vir;

Fechar os olhos num dado instante

E sem mais sorrir.

 

Nuances de uma canção em suave acorde;

Dizendo serena à memória parcialmente adormecida;

Venha, vamos, acorde!

 

A brincadeira favorita em criança;

O convívio com o ente querido

Que já agora se encontra no alto plano;

Sim, creio que se inspirares agora ainda rememora o afetuoso conselho.

 

Um simples objeto guardado feito um tesouro no afetivo baú da lembrança.

Sim, tudo isso constrói quem somos;

E a isso tudo podemos então nominar saudade.